Banco Central diz que ainda há R$ 10 bilhões esquecidos em bancos

Publicado em: 14/01/2026
Banco Central diz que ainda há R$ 10 bilhões esquecidos em bancos

O Banco Central informou que ainda há R$ 10,02 bilhões em recursos esquecidos por clientes em instituições financeiras no Brasil. Os dados consideram valores contabilizados até novembro do ano passado e envolvem tanto pessoas físicas quanto empresas que deixaram dinheiro parado em bancos, consórcios e outras instituições do sistema financeiro.

Segundo o Banco Central, apesar de o Congresso Nacional ter autorizado, em 2024, que o governo recolhesse esses recursos, o Ministério da Fazenda afirma que esse processo não está em andamento e que não há prazo final para o resgate pelos titulares.

Do total ainda disponível, R$ 7,8 bilhões pertencem a 49,31 milhões de pessoas físicas. Já R$ 2,22 bilhões correspondem a valores de 4,96 milhões de empresas. Desde a criação do Sistema Valores a Receber (SVR), o Banco Central informou que já devolveu R$ 12,92 bilhões a clientes que realizaram a consulta e solicitaram o resgate.

O sistema permite a consulta de valores deixados para trás por pessoas físicas, inclusive falecidas, e por pessoas jurídicas. A verificação pode ser feita para contas bancárias encerradas, tarifas cobradas indevidamente, cotas de consórcio não resgatadas, entre outros tipos de recursos.

O Banco Central reforça que a consulta e a solicitação de devolução só podem ser feitas por meio do site oficial valoresareceber.bcb.gov.br. Qualquer outro endereço ou contato oferecendo o serviço deve ser considerado suspeito.

Para solicitar a devolução, o sistema exige o fornecimento de uma chave PIX. Caso o cidadão não possua uma chave cadastrada, é necessário entrar em contato diretamente com a instituição financeira para combinar outra forma de recebimento ou criar uma chave e retornar ao sistema para concluir a solicitação.

No caso de valores pertencentes a pessoas falecidas, a consulta só pode ser feita por herdeiros, inventariantes, testamentários ou representantes legais. Além disso, é obrigatório o preenchimento de um termo de responsabilidade antes de prosseguir com o pedido junto às instituições financeiras.

Desde maio do ano passado, o Banco Central também passou a permitir a habilitação de um pedido automático de resgate. A adesão ao serviço é opcional e exclusiva para pessoas físicas que possuam chave PIX do tipo CPF.

“O propósito é facilitar ainda mais a vida do cidadão, que não precisará consultar o sistema periodicamente nem registrar manualmente a solicitação de cada valor que existe em seu nome”, informou o Banco Central, ao anunciar a novidade.

Para ativar a solicitação automática, é necessário acessar o SVR com uma conta gov.br de nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas habilitada. O crédito dos valores é feito diretamente pela instituição financeira na conta do cidadão, sem aviso prévio do Banco Central. Instituições que não aderiram ao termo de devolução via PIX continuam exigindo solicitação manual, o mesmo valendo para valores oriundos de contas conjuntas.

A autoridade monetária alerta que o governo não entra em contato por telefone, mensagens ou redes sociais para solicitar dados pessoais ou senhas para devolução de recursos. O órgão recomenda atenção redobrada para evitar golpes.

Em fevereiro, o Banco Central reforçou os mecanismos de segurança do sistema para coibir fraudes. O acesso continua sendo feito com conta gov.br de nível prata ou ouro, mas passou a exigir autenticação em duas etapas. Quem ainda não possui o aplicativo gov.br no celular precisa baixá-lo, realizar a validação facial e habilitar a funcionalidade antes de acessar o sistema.

Após informar CPF e senha, o usuário deve confirmar a identidade por meio do aplicativo. Em seguida, o sistema solicita um código de acesso, que precisa ser gerado diretamente no app gov.br para concluir a consulta e o pedido de resgate dos valores.