Banco do Brasil lucra R$ 3,431 bilhões no primeiro trimestre de 2026
O Banco do Brasil anunciou, na última quarta-feira (13) um Lucro Líquido Ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Na comparação anual, a Margem Financeira Bruta cresceu 14,8%; a Carteira de Crédito Expandida cresceu 2,2%; e o Índice de Capital Principal (ICP) encerrou março de 2026 em 11,59%. O retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL) foi de 7,3%.
Segundo o banco, “a geração de receitas segue sólida, evidenciando a capacidade negocial do Banco e o relacionamento próximo com os clientes”.
A análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra uma forte queda no desempenho da instituição no início de 2026. A retração é de 53,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando o resultado havia alcançado R$ 7,374 bilhões. Na comparação com o trimestre anterior, a queda foi de 40,2%.
”Não podemos acreditar no discurso de que lucro menor é prejuízo. Lembro quando tomei posse no banco em 2001 e o lucro naquele ano foi de R$ 1 bilhão. Hoje o banco alcança o mesmo resultado em apenas um mês”, disse o funcionário do BB e diretor do sindicato, Marcos Alvarenga.
”A preocupação maior que devemos ter é com o fato do BB seguir se afastando de suas origens. O banco precisa voltar a ter seu foco de atuação no desenvolvimento social e econômico do Brasil, ajudando a distribuir riquezas e diminuindo a desigualdade social”, concluiu Alvarenga.
Crédito cresce, mas inadimplência preocupa
A carteira de crédito expandida do banco atingiu R$ 1,306 trilhão, com crescimento de 2,2% em 12 meses e 0,7% no trimestre.
- Pessoa Física: R$ 361,8 bilhões (+7,8% em 12 meses);
- Pessoa Jurídica: R$ 449,0 bilhões (-2,4%);
- Agronegócio: R$ 418,4 bilhões (+3,0%).
No agronegócio, as operações vinculadas ao programa BB Regulariza Agro alcançaram R$ 37,9 bilhões, com expansão de 68% no trimestre.
As chamadas “perdas esperadas” — antigas provisões para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) — cresceram 46,6% em 12 meses, somando R$ 16,8 bilhões. O índice de inadimplência superior a 90 dias chegou a 5,05%, alta de 1,42 ponto percentual em um ano.
Tarifas seguem cobrindo despesas com pessoal
As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 5,5% em 12 meses, alcançando R$ 8,8 bilhões no período. Já as despesas com pessoal, incluindo o pagamento da PLR, ficaram próximas de R$ 7,2 bilhões, praticamente estáveis (-0,1%).
Com isso, as receitas secundárias do banco passaram a cobrir 122,75% das despesas de pessoal, aumento de 6,48 pontos percentuais em 12 meses.
Menos trabalhadores e menos agências
Mesmo com a ampliação da base de clientes — que cresceu em 1 milhão de pessoas e chegou a 83 milhões em março de 2026 —, o banco seguiu reduzindo sua estrutura.
Ao final do trimestre, o Banco do Brasil contava com 84.619 funcionários, após:
- fechamento de 1.498 postos de trabalho em 12 meses (-1,7%);
- redução de 587 empregos apenas no trimestre (-0,7%);
- encerramento de 56 agências tradicionais e 113 postos de atendimento em um ano;
- abertura de apenas uma agência digital e especializada.
Para o movimento sindical, os dados reforçam a preocupação com o impacto das reestruturações sobre o atendimento à sociedade e as condições de trabalho nas unidades do banco.
“Os números mostram que não é possível sustentar resultados apenas com cortes de custos e redução de estruturas. A diminuição do quadro de funcionários e o fechamento de unidades afetam o atendimento à população e aumentam a sobrecarga de trabalho. É fundamental discutir o papel do Banco do Brasil como instituição pública comprometida com o desenvolvimento do país e com condições dignas para seus trabalhadores”, disse a coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Fernanda Lopes.