Bradesco e Itaú ampliam lucro no 1º trimestre, enquanto mantém cortes de empregos e fechamento de agências

Publicado em: 08/05/2026
Bradesco e Itaú ampliam lucro no 1º trimestre, enquanto mantém cortes de empregos e fechamento de agências

O Bradesco encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões, crescimento de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025 e alta de 4,5% na comparação com o trimestre anterior. O resultado representa o nono trimestre consecutivo de aumento do lucro, segundo relatório divulgado pela instituição.

Apesar do desempenho financeiro positivo, o banco manteve o processo de reestruturação, com redução do quadro de pessoal e da rede física. Em doze meses, foram eliminados 3.017 postos de trabalho e fechadas 346 agências, além de 1.053 postos de atendimento (PA e PAE) e 15 unidades de negócios.

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 7,9 bilhões, alta de 8% em doze meses. As despesas de pessoal, já considerando o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), cresceram 4,1%, chegando a quase R$ 6,6 bilhões. Com isso, as receitas secundárias do banco foram suficientes para cobrir 119,1% das despesas com pessoal, evidenciando a forte contribuição das tarifas para a sustentação dos resultados da instituição.

A holding encerrou março de 2026 com 80.348 empregados, sendo 68.822 bancários. Apenas no primeiro trimestre deste ano, houve fechamento de 1.747 vagas, sendo 1.728 de bancários. A rede física também encolheu, encerrando o período com 1.938 agências, 1.723 postos de atendimento e 706 unidades de negócios em funcionamento. Mesmo com a redução da estrutura, a base de clientes cresceu 500 mil em doze meses, alcançando 110,3 milhões. No trimestre, porém, houve redução de 200 mil clientes.

Já o Itaú Unibanco registrou lucro de R$ 12,282 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 10,4% em relação ao mesmo período do ano passado. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias chegaram a aproximadamente R$ 12,5 bilhões, crescimento de 4,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. As despesas de pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), somaram R$ 8,6 bilhões, alta de 8,1%. Ainda assim, apenas as receitas de tarifas foram suficientes para cobrir 144,9% dessas despesas, reforçando o peso das cobranças bancárias na sustentação dos lucros.

Mesmo com resultados recordes, o Itaú manteve a política de redução da estrutura física e do quadro de trabalhadores. Ao final de março de 2026, o banco possuía 81.659 empregados no Brasil, após o fechamento de 4.620 postos de trabalho em 12 meses, 1.034 vagas apenas no trimestre e, no mesmo período, encerradas as atividades de 360 agências físicas no país. Em contrapartida, o número de clientes continuou crescendo, com aumento de 1,678 milhão, alcançando 100,9 milhões de clientes.

Os números comprovam a altíssima rentabilidade dos dois bancos, sustentada pela expansão do crédito, aumento das tarifas e crescimento da base de clientes. Entretanto, o contraste entre resultados bilionários e redução de empregos reforça a necessidade de debate sobre condições de trabalho, saúde mental e valorização dos trabalhadores bancários.