Bradesco lucra R$ 13,9 bilhões e Itaú R$ 24,7 bi, mas seguem demitindo e fechando agências

Publicado em: 10/08/2026
Bradesco lucra R$ 13,9 bilhões e Itaú R$ 24,7 bi, mas seguem demitindo e fechando agências

O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação entre o segundo e o primeiro trimestre deste ano, o crescimento foi de 3,5%. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 16% no semestre, aumento de 1,4 ponto percentual em 12 meses. O crescimento de 16,2% foi o maior entre os três maiores bancos privados do país (Bradesco, Itaú e Santander). Segundo o balanço da instituição, este é o décimo trimestre consecutivo de aumento do lucro.

Já o Itaú Unibanco registrou lucro líquido gerencial de R$ 24,689 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, o lucro foi de R$ 12,407 bilhões, alta de 1% na comparação com os três primeiros meses do ano. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE), no Brasil, chegou a 26% no semestre, avanço de 2,1 pontos percentuais em 12 meses.

Apesar dos resultados expressivos, Bradesco e Itaú seguem demitindo e fechando agências. O Bradesco encerrou o primeiro semestre com 79.699 funcionários, dos quais 67.954 são bancários, após eliminar 2.448 postos de trabalho em 12 meses. No segundo trimestre, o saldo foi negativo em 868 empregos bancários. No mesmo período, o banco fechou 324 agências em todo o país. Em contrapartida, sua base de clientes cresceu em 300 mil pessoas nos últimos 12 meses, sendo 100 mil no segundo trimestre, alcançando 110,4 milhões de clientes, segundo dados do Banco Central. O Itaú eliminou 5.118 postos de trabalho nos últimos 12 meses, sendo 1.002 no segundo trimestre. No mesmo período, foram fechadas 451 agências físicas em todo o país.

Os números dos balanço demonstram que ambos os bancos têm plenas condições de investir em melhores condições de trabalho, ampliar o atendimento à população e valorizar seus empregados. A política de fechamento de agências e redução de postos de trabalho não encontra justificativa nos resultados apresentados pelas instituições financeiras.

Outro indicador reforça que os bancos possuem condições de investir mais em seus empregados, a receita com prestação de serviços e tarifas bancárias que, no Bradesco, cresceu 5% em 12 meses, totalizando R$ 15,8 bilhões, valor suficiente para cobrir 117% de todas as despesas com pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Enquanto no Itaú o crescimento foi de 5,8% em 12 meses, alcançando R$ 25 bilhões até junho de 2026. Valor suficiente para cobrir 145,2% das despesas com pessoal, incluindo a PLR, que cresceram apenas 4,6% no período, totalizando R$ 17,2 bilhões. Ou seja, levando em consideração apenas esta receita, Bradesco e Itaú poderiam aumentar em 17% e 45%, respectivamente, os salários de seus funcionários ou a quantidade destes.

A categoria bancária está em plena Campanha Nacional. Enquanto a mesa única com a Fenaban discute a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), os representantes dos trabalhadores também negociam com Bradesco e Itaú a renovação de seus Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) específicos.