Caixa faz 165 anos entre lucros recordes, fechamento de agências e cobranças por valorização dos empregados

Publicado em: 12/01/2026
Caixa faz 165 anos entre lucros recordes, fechamento de agências e cobranças por valorização dos empregados

Banco público celebra aniversário com resultados financeiros expressivos, mas enfrenta críticas pelo encolhimento da rede, sobrecarga de trabalhadores e desigualdades estruturais no quadro de pessoal

A Caixa Econômica Federal completa 165 anos nesta segunda-feira, 12 de janeiro. Presente na vida de praticamente todos os brasileiros, o banco público é responsável pela execução das principais políticas sociais do Governo Federal (como Bolsa Família, BPC, FGTS, abono salarial, Pronaf e políticas habitacionais) e tem papel central no desenvolvimento econômico e social do país.

No entanto, a data é marcada por contradições: enquanto os lucros crescem de forma expressiva, avançam o fechamento de agências, a redução da presença territorial e os impactos negativos para trabalhadores e comunidades. Milhões de brasileiros sem acesso à internet, pacote de dados ou smartphone acabam excluídos do atendimento quando uma agência fecha.

O processo de fechamento de agências da Caixa, iniciado em 2017, foi drasticamente intensificado em 2024 e 2025. Dados do Dieese mostram que a rede perdeu 196 agências desde então, passando de 3.404 unidades em 2015 para 3.208 ao final de setembro de 2025. Somente em 2024 foram encerradas 113 agências e, em 2025, outras 50 até setembro.

A redução da presença física do banco afeta diretamente a população mais vulnerável, sobretudo em pequenos municípios, áreas rurais e regiões remotas, onde a Caixa muitas vezes é o único ponto de atendimento bancário. Nessas localidades, o fechamento de unidades obriga famílias a percorrer longas distâncias para acessar benefícios e serviços que, em muitos casos, só podem ser resolvidos presencialmente.

Além do efeito social, o encerramento de agências provoca prejuízos diretos à economia de bairros e municípios. Agências bancárias funcionam como polos de circulação de pessoas e recursos, sustentando o comércio local e os serviços. Com o fechamento das unidades, comerciantes e microempreendedores enfrentam queda no movimento, redução das vendas e maior dificuldade para acessar crédito e serviços financeiros. Em diversas cidades, prefeitos e comerciantes relatam um verdadeiro “esvaziamento econômico” no entorno das agências fechadas.

A reestruturação da rede também tem imposto perdas significativas aos empregados. Apesar do compromisso assumido em mesa de negociação de que não haveria prejuízo de função ou remuneração, a realidade tem sido diferente.

Empregados transferidos para unidades já saturadas acabam descomissionados, perdem gratificações e sofrem redução salarial. A sobrecarga aumenta, as filas crescem e o adoecimento físico e emocional se intensifica.

“É inadmissível que colegas com décadas de compromisso com a Caixa tenham suas remunerações rebaixadas por uma decisão estrutural do banco”, denunciam as entidades representativas.

Para a representante da Fetec/PR na CEE, Samanta Almeida, a digitalização não substitui o atendimento presencial. “Fechar agência não é modernização. É abandono. A Caixa não pode se afastar das comunidades e deixar de cumprir sua função social”, afirma.

Os números financeiros mostram uma Caixa altamente lucrativa. O lucro líquido contábil alcançou R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025, 15,4% maior que no mesmo período de 2024. No acumulado de janeiro a setembro, o banco somou R$ 13,5 bilhões, crescimento de 50,3%. Os ativos totais chegaram a R$ 2,2 trilhões.

Mesmo em comparação com grandes bancos privados, como Itaú, Bradesco e Santander, a Caixa apresentou desempenho superior em ritmo de crescimento, especialmente em áreas como crédito imobiliário, saneamento e infraestrutura.

Ainda assim, o banco encerrou setembro de 2025 com 84,3 mil empregados — quase 20 mil a menos que em 2014 — e 49 unidades a menos em apenas 12 meses. O número de clientes ultrapassa 156 milhões, evidenciando a contradição entre expansão das operações e redução do quadro e da rede física.

Dia Nacional de Luta na Caixa

Por conta destas contradições, o dia deve ser celebrado, mas sem deixar de lado as críticas e as reivindicações por uma Caixa que seja voltada para as pessoas, sejam seus funcionários, clientes e a sociedade como um todo.

O dia de comemoração se transforma num dia de luta. Luta em defesa da Caixa 100% pública, socialmente responsável e que reconhece, respeita e valoriza o trabalho de seus funcionários.

A diretoria do SindBancários Petrópolis visitou as agências de sua base sindical, entregando um informativo especial para as bancárias e bancários da Caixa e panfletos para conscientizar clientes e usuários do banco.

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