Caso Master: entidades do setor financeiro dizem ter “plena confiança” no Banco Central
Um conjunto de entidades representativas do sistema financeiro brasileiro divulgou, nesta segunda-feira (5), uma nota pública em defesa da atuação do Banco Central, ressaltando a importância da independência institucional e da autoridade técnica da autarquia responsável pela política monetária e pela supervisão bancária no país.
A manifestação ocorre em um momento de maior atenção sobre os processos de fiscalização da autoridade monetária, após a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de realizar uma inspeção técnica em documentos relacionados ao banco Master que estão sob guarda do BC.
Na nota, as organizações afirmam que “é imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, de forma a manter um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro”. O texto também destaca que o Banco Central brasileiro exerce um papel essencial na supervisão bancária, atuando de maneira “exclusivamente técnica, prudente e vigilante”, com foco na solvência e na integridade das instituições financeiras.
Ao todo, 11 entidades assinam o documento, entre elas a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a Associação Brasileira de Câmbio (Abracam) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). O grupo reúne representantes dos setores bancário, de meios de pagamento, de câmbio e do mercado de capitais.
Embora a nota não mencione diretamente o banco Master, o posicionamento ocorre após a recente liquidação da instituição pelo Banco Central, no ano passado. Antes da intervenção, o banco já operava sob elevado risco de falência, em razão do alto custo de captação de recursos e da exposição a investimentos considerados arriscados, com taxas de juros muito acima do padrão praticado no mercado.
Tentativas de venda do banco chegaram a ser avaliadas, como uma proposta apresentada pelo Banco de Brasília (BRB), mas não avançaram. As negociações acabaram interrompidas diante de questionamentos de órgãos de controle, problemas de transparência, pressões políticas e menções ao banco Master em investigações em curso.