Greve de 1985 completa 40 anos

Publicado em: 26/08/2025
Greve de 1985 completa 40 anos

A greve de 1985, que mudou a história da categoria bancária, também foi lembrada durante a realização da 27ª Conferência Nacional das Bancárias e Bancários, realizada neste último final de semana em São Paulo.

O movimento, que está completando 40 anos, conseguiu mobilizar mais de 500 mil bancários e bancárias em todo o país, travando o sistema financeiro nacional, por mais dignidade, reajuste salarial e respeito aos direitos trabalhistas.

Em 1985, o Brasil vivia a ressaca do movimento Diretas Já, de 1983 e 1984, sem conseguir eleger pelo voto direto, depois de 21 anos de ditadura militar, o presidente da República. Nesse contexto conturbado da chamada Nova República, a categoria bancária conseguiu formar a unidade nacional, sendo hoje a única no Brasil a possuir uma convenção coletiva de trabalho unificada, onde os direitos são os mesmos em todo o país.

Alguns dirigentes sindicais fizeram relatos da época. “Nós passamos a noite anterior ao dia da greve pintando faixas e dormimos em carros, em frente das agências, para evitar a ocupação noturna, que era quando gerentes levavam empregados para dormir dentro dos locais de trabalho”, relembrou Roberto von der Osten (o Betão). “A ditadura tinha destruído tudo o que tínhamos antes, sendo o mais importante a nossa autoestima. A gente vivia com medo, medo de fazer greve, medo de fazer assembleias", continuou o dirigente.

Adozinda de Almeida, que também ajudou a fazer história naquela época, lembrou que em 1979 os bancários haviam tentado uma paralisação nacional. “Naquele ano, um ministro foi à televisão e, em cadeia nacional, ameaçou toda a categoria, dizendo que iria prender todo mundo. Apesar de não ter dado certo, a tentativa de 1979 nos ajudou a construir o que viria a ser mais tarde a grande greve de 1985”. A dirigente ressaltou um fator relevante para o sucesso da paralisação de 1985, que foi a categoria ter levado à população a consciência da situação dos bancários. “Conseguimos explicar porque iríamos parar e a população atendeu mas, uma outra questão importante, também, foi que conseguimos entender, como categoria, que o patrão era só um no Brasil inteiro, que todos nós sofríamos as mesmas questões. O que garantiu a nossa unidade”, completou Adozinda.

Sérgio Takemoto, que à época era economiário na Caixa Federal, reforçou o papel da unidade e da consciência de classe para as conquistas obtidas em 1985. “Uma das primeiras coisas que aprendemos foi que sem greve não teríamos conquistas. Em seguida, tivemos que decidir se a gente iria para a categoria bancária ou formava um sindicato próprio, dos economiários. Mas, graças à consciência de classe e à compreensão de que somos todos trabalhadores, nos tornamos bancários”, disse, lembrando que logo após a grande greve, os empregados da Caixa realizaram outra paralisação, em 30 de outubro, quando conquistaram a jornada de seis horas e passaram a ser bancários.

Em 1985, além da jornada de 6h e a união da data base, a categoria conquistou reajuste salarial de 90,78% e antecipação de 25% diante do processo inflacionário que corroía os ganhos dos trabalhadores na ordem de 10% ao mês.